quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Juros e crédito podem frear consumo

Apesar de perceber que o custo de vida aumentou em 2010, devido ao pagamento de contas e do aumento de preços em janeiro, o consumidor brasileiro ainda está otimista quanto ao consumo no primeiro semestre do ano. Mas a manutenção desta expectativa até dezembro vai depender da política monetária adotada pelo Banco Central para a taxa básica de juros, a Selic, e os reflexos na concessão de crédito, que, com inflação alta juros altos, pode ter a oferta diminuída.

Esta é uma das principais conclusões das Pesquisas Nacionais de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) e Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio. “Há uma perspectiva boa, mas não de um aquecimento excessivo do consumo. A questão do crédito é importante: o prazo de concessão só será alongado quando houver a percepção de que não haverá alta de juros”, explicou Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da CNC e ex-diretor do Banco Central.

Em fevereiro, o percentual de famílias que se consideram muito endividadas ficou em 13,4%, ante 13,7% em janeiro, e o das que se consideram pouco endividadas aumentou para 26,2%, ante 25,8%.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso é significativamente menor para quem possui renda familiar mensal maior que 10 salários mínimos (13,2%) do que para os grupos familiares com renda inferior a 10 salários (27,6%).

O tempo médio de atraso de quem possui contas ou dívidas pendentes é de 58,8 dias – resultado um pouco menor que os 60 dias verificados em janeiro, e, para 40% das famílias nesta situação, o tempo de atraso nos pagamentos é superior a 90 dias.

O cenário favorável para crédito e renda beneficia o aumento do endividamento nos próximos meses, especialmente para o segundo semestre de 2010. Caso as expectativas de elevação na taxa Selic se confirmem, as condições serão menos favoráveis para o mercado de crédito, com reflexos inclusive no alongamento de prazos. Os prazos maiores para pagamento têm sido um dos principais fatores para a sustentação da trajetória do crédito, dado que a expansão do crédito ao consumidor tem se dado a taxas superiores ao crescimento da renda.

Mais da metade das famílias entrevistadas declararam-se mais seguras em relação ao consumo de curto prazo. A confirmação deste quadro é condizente com a recuperação do volume de vendas do comércio varejista, cujas taxas mensais têm acusado crescimento desde maio de 2009 e apresentado aceleração desde outubro aproximando-se do ritmo de expansão anterior à crise econômica.

Regionalmente, os consumidores do norte do país estão mais propensos ao consumo de curto prazo (+7,2% ante o nível do mês anterior). No geral, este índice ascendeu 0,5% na comparação mensal.


Fonte: Confederação Nacional do Comércio, 24.02.2010

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